quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

NÃO PERTENÇO A NENHUMA RELIGIÃO




INTRODUÇÃO

“Cristo não é religião!” – Esta é a frase lançada muitas vezes na cara dos católicos que se orgulham de pertencer à Igreja. Esta frase geralmente é dita incluindo uma atitude inconsciente de ter atingido um nível espiritual mais elevado, e que o pobre católico ainda não se deu conta desta “grande verdade”. Mas isto é verdade? Para aprofundar, fiz este breve estudo.




Autor: José Miguel Arráiz
Tradução: Carlos Martins Nabeto




RELAÇÃO PESSOAL COM JESUS
PEQUENOS EXEMPLOS DESSA IDEOLOGIA

Uma ideologia que vem progressivamente conquistando muitas igrejas cristãs não-católicas é uma recente negação da religião. É surpreendente ouvi-los dizer: “Cristo não é religião”, “Eu não pertenço a religião nenhuma; possuo uma relação pessoal e verdadeira com Jesus Cristo” e outras frases semelhantes.

Recentemente, conversava sobre isso por chat com uma amiga evangélica desta mesma comunidade e ativei o registro automático da conversa. A seguir, um pequeno extrato da mesma:







Kattvic - Será está?
Kattvic: Você é cristão?

José: Sim, sou cristão católico
.
Kattvic: Ah, tá.
José: E você?
Kattvic: Bem, eu era católica, mas agora sou convertida a Cristo.
José: Mas quando você era católica não era convertida a Cristo?
Kattvic: Sim, mas não era a mesma coisa. Quando alguém é católico esquece muitas coisas.
 José Miguel Arráiz
José: Quando alguém é católico e não aprofunda sua fé, pode ser que esqueça muitas coisas. Mas quando se aprofunda e possui verdadeira relação com Cristo, isto não ocorre.
Kattvic: Bem, isso é verdade, mas também é verdade que, como católicos, não nos aprofundamos na relação com Cristo. É certo que isso não vale para todos, mas para a maioria.
José: Em todas as igrejas existem crentes “nominais”, se é que podem ser chamados de “crentes”.
Kattvic: Bem, eu não estou falando de religião, porque se assim fosse, eu não teria nenhuma. Meu amor para com o Todo-Poderoso supera a barreira das religiões.
José: O que é religião para você?
Kattvic: Bem, religião é quando você diz que possui uma e vai até a sua igreja rezar, cantar e tudo o mais; e quando você sai desse lugar, continua sendo o mesmo.
José: Mas quem te disse que isso é religião? Já procurou o significado de religião no dicionário?
Kattvic: Não, não procurei. Mas o digo por experiência pessoal.
José: Isso não é coisa de experiência, é coisa de saber o que significa a palavra. Eu te pergunto: a Bíblia diz que a religião é coisa boa ou má? O que ela fala acerca da religião?
Kattvic: Bem, eu não conheço muito a Bíblia pois ainda estou começando a lê-la… Eu não sei qual é a definição dos outros; a minha é pessoal. Assim eu sinto, assim eu creio.

O que me chamou a atenção nesta conversa é que a moça possuía uma definição totalmente sentimental da palavra “religião” e quando lhe pedi para que me argumentasse racionalmente (pelo dicionário) ou biblicamente (por alguma passagem bíblica), não soube me dizer o porquê da sua fé não poder ser conceituada como religião; simplesmente concluiu com um profundo e contundente:

“Assim eu sinto, assim eu creio”… E PONTO!!!

Tem fundamento?
Certamente, ela era uma cristã com pouco conhecimento bíblico, mas o curioso é que esta maneira de pensar pode ser vista em líderes e pastores evangélicos, o que me surpreende por demais. Quando eu lhes peço para que me fundamentem biblicamente tal afirmação, não encontro ninguém que me possa dar uma resposta satisfatória.

Porém, esta nova ideologia possui fundamento? O que diz o senso comum? O que diz a Bíblia?



CONCEITO DE RELIGIÃO

Real Academia Espanhola
Para encontrarmos o real significado da palavra “religião” devemos procurar na fonte mais autorizada do mundo, no que se refere ao significado das palavras em espanhol[*]: o dicionário da Real Academia Espanhola; e, depois, em outra fonte para ser facilmente verificada por vocês, leitores.

O dicionário da Real Academia Espanhola nos dá como significado principal e secundário da palavra “religião” os seguintes:

Dicionário da Real Academia Espanhola: Religião [Do lat. religĭo, -ōnis] 1. Conjunto de crenças ou dogmas acerca da divindade, dos sentimentos de veneração e temor para com ela, das normas morais para a conduta individual e social, e das práticas rituais, principalmente a oração e o sacrifício para prestar-lhe culto. 2. Virtude que move a prestar a Deus o culto devido.

A enciclopédia Microsoft Encarta diz:

Enciclopedia Microsoft Encarta, Religião: Em termos gerais, forma de vida ou crença baseada em uma relação essencial de uma pessoa com o universo, ou com um ou vários deuses. Neste sentido, sistemas tão diferentes como Budismo, Cristianismo, Hinduísmo, Judaísmo e Xintoísmo podem ser considerados religiões. No entanto, em um sentido aceito de uma forma corrente, o termo religião se refere à fé em uma ordem do mundo criado pela vontade divina, o acordo com o qual constitui o caminho de salvação de uma comunidade e, portanto, de cada um dos indivíduos que desempenhem um papel nessa comunidade. Neste sentido, o termo se aplica sobretudo a sistemas como Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, que implicam fé em um credo, obediência a um código moral estabelecido nas Escrituras Sagradas e participação em um culto. Em seu sentido mais estrito, o termo alude ao sistema de vida de uma ordem monástica ou religiosa.

Resumindo: dos significados que a Real Academia Espanhola e a Enciclopédia [Encarta] nos oferece, podemos concluir que “religião” é a forma que cada pessoa possui de se relacionar com Deus, prestando-lhe o culto que Lhe é devido.

Sob este conceito, o Cristianismo é definitivamente uma religião. O mesmo dicionário da Real Academia o define:

Dicionário da Real Academia Espanhola: Cristianismo 1. Religião cristã.

A enciclopédia Encarta nos apresenta uma definição semelhante:

Enciclopédia Microsoft Encarta: Cristianismo: religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo segundo se recolhem nos Evangelhos, que marcou profundamente a cultura ocidental e é atualmente a maior do mundo. Está amplamente presente em todos os continentes do globo e é professada por mais de 1,7 bilhão de pessoas.

UNIVERSO IMAGINÁRIO
O Cristianismo não somente é mundialmente considerado como religião como também é a maior do mundo. Afirmar-se cristão e dizer que seu cristianismo “não é religião” é simplesmente rejeitar o significado da palavra, viver em um universo imaginário onde as palavras significam para si o que quer que signifiquem, embora não o signifiquem para “o resto do mundo”.

Se você é cristão, o Cristianismo é a SUA RELIGIÃO; quanto a isso, não resta dúvida. Não importa que alguém não goste dessa palavra, que tenha desenvolvido antipatia por ela. O significado não será alterado em todos os dicionários do mundo apenas porque tal pessoa “sinta” ou “acredite” que [a sua fé] não é “religião”.
Muitos poderão querer dar à palavra o seu próprio significado, mas sua posição terá fundamento para o senso comum?

A RELIGIÃO SEGUNDO A BÍBLIA

Passemos agora para o segundo ponto; vejamos o que diz a Palavra de Deus sobre “religião”, já que se a posição de [alguns] irmãos [separados] faz sentido, deverá haver alguma passagem bíblica apoiando tal posição. Será que há?

NÃO, não há! Não há em toda a Bíblia nem uma só passagem que fale mal da religião, ainda que seja só um pouquinho. Ao contrário, a palavra “religião”, “religioso”, “religiosa” aparece 7 vezes e em nenhuma delas se pode verificar um significado negativo; muito pelo contrário.

João 9,31 – “Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas, se alguém é religioso e cumpre a Sua vontade, será ouvido”.
A passagem acima narra a forma como o cego refuta os fariseus que não explicavam como ele pôde ter sido curado por Jesus. Quando os fariseus O insultam, ele lhes responde com estas sábias palavras, para dar-lhes a entender que se Cristo o curou é porque Deus O escutava; muito interessante, aliás, as palavras que emprega: “se alguém é religioso e cumpre a Sua vontade, será ouvido”.

O próprio Paulo, quando foi perseguido pelos judeus, foi perseguido em razão da “sua religião”, como nos ensina a Bíblia:

Atos 25,19 – “Apenas tinham contra ele algumas discussões acerca de sua própria religião e sobre um tal Jesus, já morto, o qual Paulo afirmava que vivia”.

Muitos podem dizer que possuem religião, porém, Paulo não era cristão? E a Bíblia diz que Paulo possuía religião! Se Paulo tinha religião e era perseguido em razão dela, por que esses não têm religião?

Paulo posteriormente explica que ele havia sido fariseu e alega que o Judaísmo era a “sua religião”:


Atos 26,5 – “Eles me conhecem há muito tempo e se quiserem podem testemunhar que tenho vivido como fariseu conforme a seita mais estrita da nossa religião”.

Importante observar que ele não diz que essa já não é mais a sua religião. Notemos que quando Paulo diz “nossa religião” implica que a considera “sua também”. O Judaísmo era a verdadeira religião, mas agora alcançava sua plenitude com Cristo. Paulo não trocou de Deus, mas O conheceu em plenitude através da revelação de Jesus Cristo.

Uma das passagens mais contundentes que menciona a palavra “religião” é a seguinte:

Tiago 1,26-27 – “Se alguém  se crê religioso mas não coloca freio em sua língua, engana seu próprio coração e sua religião é vã. A religião pura e intocável diante de Deus Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua tribulação e conservar-se incontaminado pelo mundo”.

Esta passagem é muito, mas muito ilustrativa para o assunto que estamos tratando. Esta passagem nos explica “como se deve viver a religião” e começa dizendo que nossa religião é vã se não colocamos freio em nossa língua e continua descrevendo-nos as características da verdadeira religião.

SANTO IVO
Essa passagem não diz que a religião é coisa má ou que o cristão não tem religião, mas existe “uma religião pura e intocável diante de Deus Pai”; uma religião cuja característica é que se viva a partir do interior, não como um mero cumprimento de preceitos, mas impregnada de uma fé viva que se manifesta em obras, em caridade para com os necessitados e por manter uma vida isenta de pecado.

O problema nunca foi a religião, pois a religião é indispensável. O problema para muitos de nós pode ter sido viver a religião exteriormente e não a partir do interior. Não possuir uma religião baseada sobre uma fé viva, ativa – uma“fé sem obras”, no dizer de São Tiago – é uma fé morta.

Tiago 2,26 – “Porque assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”.

DE ONDE VEM ESTA REJEIÇÃO À RELIGIÃO 
POR PARTE DOS IRMÃOS?

Muitos irmãos separados, ao tentarem se desligar de normas e dogmas, além de possuir fortes sentimentos anticatólicos, têm tratado de redefinir a palavra  “religião”, associando-a com um simples e mero “cumprimento de preceitos”. Pois bem: após terem feito tal associação e redefinição da palavra, para que não se vejam afetados pela mudança, “desfazem o nó” dizendo que o que praticam não é “religião” (mas o que os outros fazem, sim). É uma forma inovadora de se distinguirem como um “verdadeiro crente livre de dogmas e religiões”, oferecendo-lhes uma sensação de liberdade, permitindo-lhes não estar sujeito a nenhuma espécie de autoridade, exceto naquilo que entendem da Bíblia e sob suas próprias interpretações. Se não gostam do que alguma igreja diz, mudam para outra; e se forem carismáticos, talvez fundem uma nova. Como já existem milhares [de igrejas] e já foram empregados quase todos os nomes conhecidos, talvez acabem chamando de “Pare de Sofrer” ou “Testemunhas de Deus”. E, por fim, o que resta?

Eu a chamaria de “apenas mais uma religião”, mas “sob medida”. Isto não está de acordo com o que exige a Palavra de Deus:

1Coríntios 1,10 – “Vos conjuro, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo: tenham todos um mesmo pensar e não haja divisões entre vós; ao contrário, estejais unidos em uma mesma mentalidade e juízo”

A passagem acima não é uma “sugestão”, mas uma “ordem” em nome de Cristo, que exige dos cristãos UNIDADE; não uma unidade aparente, mas uma unidade que implica coesão de fé, quer em mentalidade, quer em juízo.

QUAL A CONSEQUÊNCIA DESSA IDEOLOGIA?

Sem que percebam, estão apoiando o lema marxista sob o qual milhares de cristãos foram perseguidos e submetidos. Ei-lo:

“A religião é o ópio dos povos” (Karl Marx).

E prepara o cristão pouco instruído a tornar-se vítima do enganoso [movimento de] Nova Era, que prega exatamente o mesmo, mas que todavia segue adiante, afirmando que todas as religiões são iguais (inclusive o Cristianismo). Para eles, Cristo é apenas um ser iluminado, rebaixado ao nível de Maomé, Sai Baba, Dalai Lama e tantos outros.

E QUAL É A VERDADE?

Nós, cristãos, temos uma verdade clara:

João 14,6 – “Disse Jesus: ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”.

Cristo é o único caminho para o Pai. Portanto, Cristo não é religião, mas “a verdadeira religião”, “a religião em plenitude”, “a forma perfeita de se relacionar com o Pai”. Não há outro nome pelo qual os homens possam ser salvos. Porém, estar unido a Cristo é estar unido à Igreja, que é o seu Corpo.

CONCLUSÃO

Quando um irmão tornar a vir com a “profunda” frase: “Cristo não é religião”, tente fazê-lo entender que está repetindo um lema novo e sem sentido; um lema que nem sequer os protestantes pregavam no século passado e que tampouco pregam hoje as igrejas protestantes tradicionais. Peça para que ele argumente biblicamente o que afirma, que analise o que está dizendo, que perceba que só está repetindo “o lema do pastor”, mas que é algo que realmente não possui o menor fundamento bíblico. Tente fazê-lo entender o real significado da palavra… Talvez você consiga fazê-lo refletir e, assim, perceber que está repetindo algo “sem fundamento”.

—–



NOTA

[*] Definições semelhantes podem ser facilmente encontradas em dicionários da língua portuguesa; p.ex: “Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Michaelis”, um dos mais extensos em significados: religião – re.li.gião – sf (lat religione) [1] Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino. [2] Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador. [3] Culto externo ou interno prestado à divindade. [4] Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral. [5] Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade.[6] Prática dos preceitos divinos ou revelados. [7] Temor de Deus. [8] Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável. [9] Ordem ou congregação religiosa. [10] Ordem de cavalaria. [11] Caráter sagrado ou virtude especial que se atribui a alguém ou a alguma coisa e pelo qual se lhe presta reverência. [12] Conjunto de ritos e cerimônias, sacrificais ou não, ordenados para a manifestação do culto à divindade; cerimonial litúrgico. [13] Filos= Reconhecimento prático de nossa dependência de Deus. [14] Filos= Instituição social com crenças e ritos. [15] Filos= Respeito a uma regra. [16] Sociol= Instituição social criada em torno da ideia de um ou vários seres sobrenaturais e de sua relação com os homens. [17] Mística ou ascese. R. do caboclo, Reg (Rio de Janeiro): prática feiticista negra a que se misturam entidades da mística ameríndia. R. do Estado: a professada oficialmente por um Estado sem que, com isso, seja proibida ou impedida a prática das outras. R. natural: a que se baseia somente nas inspirações do coração e da razão, sem dogmas revelados; a religião dos povos primitivos. R. naturalista: veneração ou adoração religiosa da natureza nos animais, nos astros etc.; panteísmo. R. reformada: o mesmo que igreja reformada. R. revelada: a que, como o cristianismo, se baseia numa revelação divina conservada pelas Escrituras Sagradas e pela tradição. Ciência das religiões: estudo das religiões como fenômeno humano universal; pode-se considerar seu aspecto histórico (história das religiões), psíquico (psicologia da religião) e social (sociologia da religião). Filosofia da religião: tratado das questões relativas à sua essência e verdade (N.doT.).





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

JESUS PERMANECEU MORTO POR "TRÊS DIAS E TRÊS NOITES"



Se Jesus morreu na sexta de tarde, como ele pôde ressuscitar na manhã de domingo, sendo que ele disse que ficaria 3 dias e 3 noites sepultado?

Os termos "3 dias" e "3 dias e 3 noites"

Está registrado que Jesus disse: "O Filho do homem se levantará novamente após três dias" e "Ele será levantado novamente ao terceiro dia" – essas expressões são usadas alternadamente. Isso pode ser visto no fato de que a maioria das referencias à ressurreição afirmam que ela ocorreu no terceiro dia. (Josh Mcdowell).

O que isso quer dizer? Que Jesus ressuscitou no 3º dia, independente de quantas horas ele ficou no túmulo. Tanto Mateus, como os outros evangelistas, o próprio Jesus e os fariseus concordam entre si que Jesus disse que ressuscitaria no 3º dia, independente de quantas horas estaria no túmulo.

Guilherme Born
Fonte: - DC.GÓLGOTA
"Profeta Jonas" - Pintura de Michel Angelo - Capela Sistina



Jesus Disse: Assim como Jonas ficou 3 dias e 3 noites no ventre do grande peixe, o Filho do Homem estará 3 dias e 3 noites no coração da terra. MT 12:40

Agora vamos ver o porquê de Jesus ter usado a expressão "3 dias e 3 noites". Digo de antemão que isso é uma expressão idiomática e não um relato minucioso de tempo. Vou dar alguns exemplos disso encontrados em outros textos bíblicos:

(1 SM 30: 12-13) "um pedaço de bolo de figos prensados e dois bolos de uvas passas. Ele comeu e recobrou as forças, pois tinha ficado três dias e três noites sem comer e sem beber". Davi lhe perguntou: “A quem você pertence e de onde vem”? Ele respondeu: “Sou um jovem egípcio, servo de um amalequita. Meu senhor me abandonou quando fiquei doente há três dias.

Ou seja, 3 dias e 3 noites = há 3 dias.

Gn 42:17-18 - “E os deixou presos três dias. No terceiro dia, José lhes disse...

Neste caso, se eles ficaram presos 3 dias e depois disso José os solta, então eles teriam sido soltos no 4º dia, correto? Porém não é isso que aparece. Ele os solta no 3º dia, ou seja, eles ficaram presos durante 3 dias (forma idiomática e expressiva) e são soltos no 3º dia (literalmente).

Portando, se olharmos com literalidade neste texto, haveria uma contradição, pois os irmãos estariam presos num período de 72 horas, mas o mesmo texto diz que eles foram soltos antes das 72 horas. Não há contradição porque é apenas uma expressão idiomática.

Assim "um dia e uma noite" era uma expressão idiomática usada pelos judeus para indicar um dia, mesmo quando indicava somente parte de um dia, o qual pode ser visto também no Velho Testamento.

Ou seja, a expressão "um dia e uma noite" representava tanto o período total como parte dele.

A comprovação Histórica

Outra forma de ver "três dias e três noites" é ter em consideração o método judaico de calcular o tempo. Os escritores judaicos registraram em seus comentários sobre as escrituras o principio que governa o registro do tempo. Qualquer parte do período era considerado um período total. Qualquer parte de um dia era registrado como um dia completo.

O Talmude Babilônico (Comentários Judaicos) relata que "uma parte do dia é o total dele" (Mishnah. Third Tractate, "B. Pesachim", p. 4a).

O Talmude de Jerusalém, assim chamado porque foi escrito em Jerusalém, diz:  “Temos um ensino -- 'Um dia e uma noite são um Onah e a parte de um Onah é como o total dele" (Mishnah, Tractate, "J. Shabbath”, Chapter IX, Par. 3).

Um "Onah" é, simplesmente, "um período de tempo".

Temos então a prova de que a expressão 3 dias e 3 noites é "figurada", representando 3 dias seguidos, independente do tempo (horas) transcorrido nestes.

Ilustração dos 3 dias e 3 noites entre a morte e ressurreição de Jesus.


Como 3 dias e 3 noites é apenas uma forma de expressão, Jesus (figuradamente falando) ficou no coração da terra 3 dias e 3 noites. Se Jesus tivesse sido sepultado depois do Shabat (sexta após às 18), então a profecia não teria se cumprido, pois não poderíamos contar o dia de sexta. Porém, como foi sepultado antes do pôr-do-sol do Shabat, conta-se o dia do sepultamento.

Assim sendo, Jesus não errou em dizer que estaria três dias enterrado, porque ele não usou o termo "o filho do homem ficará 3 dias enterrado". Ele usou "3 dias e 3 noites", pois sabia que era uma forma de expressão que indicaria a sua ressurreição no domingo.

Se assim não fosse, os fariseus teriam pedido uma guarda até o 4º dia. Porém os mesmos pediram que os romanos cuidassem do túmulo até o 3º dia.

Lembram da minha comparação?

3 dias e 3 noites = há 3 dias...

Os "três dias e três noites" referentes ao período em que Cristo ficou no túmulo pode ser calculados, como se segue: Cristo foi crucificado na sexta-feira. Qualquer tempo antes da 18h da sexta seria considerado "um dia e uma noite". Qualquer tempo depois das 18h de sexta até sábado às 18h, também seria "um dia e uma noite".

Semelhantemente, qualquer tempo após as 18h de sábado até o momento em que Cristo ressuscitou, na manhã de domingo, também seria "um dia e uma noite". Do ponto de vista judaico, seriam "três dias e três noites" de sexta feira à tarde até domingo de manhã.

Exemplos

Dia 07 de outubro de 2007, nasceu minha filha. Por lei, assim que ela nasce, tenho direito a 5 dias corridos de folga da empresa. Só que ela resolveu nascer às 23:45, ou seja, no final de domingo. Assim que nasceu, começou a contar os dias de folga e devido ao horário avançado, perdi um dia inteiro de folga, por conta da avançada hora de nascimento dela. Portanto, para a lei, ela nasceu não às 23:45, mas sim na noite de 07-10, a partir das 0:00. Se ela tivesse nascido no próximo dia, às 0:01, eu teria direito a mais 24 horas de descanso. Mas acabei perdendo 23:45 de descanso por causa de 15 minutos.

O mesmo exemplo segue para o tempo contado com a expressão "3 dias e 3 noites". Como Jesus foi enterrado antes do pôr-do-sol, conta-se o dia de sexta inteiro, mesmo que Ele não tivesse literalmente enterrado na noite de sexta (18h de quinta às 06h de sexta).

Outro exemplo, dado por Josh é no caso de nascimentos até o dia 31 de dezembro. Nos EUA, os casais que terão filhos em dezembro e que declaram imposto de renda, torcem para que a criança nasça antes da virada do ano, pois, se assim for, eles conseguem restituição do imposto referente aquela criança do ano todo, ou seja, para a lei, a criança, mesmo tendo nascido no final do ano, é contada no imposto como tendo nascido a 364 dias atrás.

Essa argumentação de Josh não foi criada por ele. Já era de entendimento de alguns estudiosos e foi publicada no livro "The Ressurection Of Jesus Christ", de Arthur C. Custance, editora Doorway Paper, página 17, no ano de 1971.

Conclusão

Concluindo, a expressão 3 dias e 3 noites é referente a 3 dias corridos, independente de quantas horas estes dias tiveram. É apenas uma expressão idiomática muito usada no judaísmo para apresentar 3 dias sequenciais.

Bibliografia

Mcdowell, Josh - As evidências da ressurreição de Cristo. Os fatos históricos comprovam a ressurreição de Cristo. Editora Candeia
Costumes do Pêssach e Shabat:
http://www.chabad.org.br/datas/pessach/guia/menu.htm
http://brasiliavirtual.info/tudo-sobre/pessach
Bíblia de Estudos NTLH - Sociedade Bíblia do Brasil
Bíblia de Estudos NVI - Sociedade Bíblica Internacional
NVI Digital em Cd-rom - Sociedade Bíblica Internacional
Textus Receptus (grego) - bibliaonline.com.br
Westcott/Hort with variants (grego) - bibliaonline.com.br
Interlinear Westminster Leningrad Codex (hebraico) - ISA basic 2.0 RC1





domingo, 13 de janeiro de 2013

O COMUNISMO É O ÓPIO DO POVO


Arcebispo Fulton Sheen
"O Comunismo é o ópio do povo porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que nunca lhes pode dar, ou seja, um paraíso terrestre. Mudando apenas uma palavra numa sentença de Lenine: “O Comunismo ensina aqueles que labutam toda a sua vida em pobreza a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os pelo pensamento de um paraíso terrestre”.




Singular espécie de paraíso esse, que é inaugurado pelo morticínio, pelo exílio e pelo confisco; estranha espécie de paraíso esse, que espera estabelecer a fraternidade pregando a luta de classes, e estabelecer a paz praticando a violência. Estranha espécie de paraíso esse que tem de recorrer ao temor e à tirania para impedir que alguém “escape” dele.
Da obra Comunismo: o ópio do povo, do Venerável Arcebispo Fulton Sheen


CONTRIBUIÇÃO DE NICÉLIA PINHEIRO